Wi-Fi com sinal cheio, mas internet lenta

As barrinhas dizem que está tudo bem, o vídeo diz o contrário. Elas medem uma coisa só, e quase nunca é a que está com problema.

Publicado em · 3 min de leitura

Neste guia
  1. O que as barrinhas medem de verdade
  2. Os suspeitos de sempre
  3. Como descobrir qual é
  4. O que costuma resolver
  5. Meça o que as barrinhas não mostram

Quatro barrinhas no celular e uma página que leva dez segundos para abrir. Parece contradição, mas não é: o ícone do Wi-Fi mede uma coisa bem específica, e a maioria das lentidões acontece onde ele não olha.

O que as barrinhas medem de verdade

As barrinhas mostram a força do sinal do roteador quando ele chega ao seu celular. Só isso. Elas não contam:

  • se o transmissor do celular, bem mais fraco, chega ao roteador tão bem quanto;
  • quanta interferência existe no mesmo canal;
  • o quanto a rede está ocupada por outros aparelhos;
  • se o problema está na linha de internet, depois do roteador.

Então "sinal cheio" descarta uma única causa, a distância, e não diz nada sobre as outras.

Os suspeitos de sempre

1. A linha, não o Wi-Fi. Se está lento até do lado do roteador, o Wi-Fi não é o problema. Teste uma vez perto dele: se também estiver lento ali, olhe o plano, o modem ou a operadora.

2. Conversa de mão única. O roteador transmite bem mais alto que o celular. Num cômodo distante o celular ouve bem o roteador (sinal cheio) enquanto o roteador mal ouve o celular. Envios, videochamadas e tudo o que é interativo sofrem primeiro.

3. Canais lotados. Em prédios, dezenas de redes dividem os mesmos canais, principalmente em 2,4 GHz. O sinal é forte, mas precisa esperar a vez.

4. Sinal cheio… do repetidor. Conectado a um repetidor, você vê o sinal dele, não a qualidade da ligação dele com o roteador. Se essa ligação é fraca, tudo o que passa por ele fica lento, com um ícone perfeito.

5. Preso na faixa lenta. Alguns aparelhos ficam em 2,4 GHz mesmo quando ali o 5 GHz estaria disponível e seria mais rápido.

6. Outra pessoa está usando. Um backup na nuvem, o download de um jogo ou um vídeo em 4K em outro aparelho podem lotar uma conexão modesta.

Como descobrir qual é

Faça o mesmo teste em dois lugares: do lado do roteador e no cômodo onde fica lento.

  • Lento nos dois: a linha ou o roteador. A cobertura do Wi-Fi não é a questão.
  • Rápido perto do roteador, lento no cômodo, sinal sempre cheio: interferência, conversa de mão única ou ligação fraca do repetidor. Repare no quanto a conexão é estável, não só no quanto é rápida.
  • Bem em alguns horários, mal em outros: lotação, dos vizinhos ou dos seus próprios aparelhos.

A estabilidade é a pista de verdade. Uma conexão cujo tempo de resposta dá saltos, ou que perde uma requisição de vez em quando, parece lenta mesmo com sinal cheio. É também por isso que o sinal do Wi-Fi no iPhone sozinho diz tão pouco.

O que costuma resolver

  • Se tem repetidor no meio, aproxime-o do roteador, onde a ligação dele é forte. Veja repetidor ou mesh.
  • Se o cômodo fica longe do roteador, mesmo com barrinhas, leve o roteador para o centro da casa ou coloque um access point cabeado. Veja Wi-Fi não chega no quarto.
  • Se o problema muda com o horário, veja o que mais está usando a rede antes de comprar qualquer coisa.

Meça o que as barrinhas não mostram

O WiFi Heatmap verifica como a conexão se comporta onde você está: tempo de resposta, quanto ele varia e quantas requisições ficam sem resposta. Uma volta pela casa basta para ver se o cômodo lento é problema de cobertura ou de outra coisa, antes de gastar dinheiro na solução errada.